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10/03/2016

Sergio Moro encerra 2º Fórum Transparência e Competitividade

O juiz federal destacou a corrupção sistêmica e também falou sobre a tensão política no país

Ovacionado pelo público, o juiz federal Sergio Moro encerrou nesta quinta-feira (10) o 2º Fórum Transparência e Competitividade, promovido pelo Sistema Federação das Indústrias do Paraná e pelo Centro Internacional de Atores Locais para a América Latina (Cifal) Curitiba. O evento reuniu cerca de 2 mil participantes.

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Logo no início de sua fala, Moro destacou o atual cenário de tensão política no país. “Estão previstas manifestações nos próximos dias ou semanas, sejam contrárias ou favoráveis ao governo. E eu queria pedir a todos que tudo seja desenvolvido sem violência e radicalismo, com muita serenidade, sem discurso de ódio e sem violência contra ninguém”.

Com o tema “Corrupção, empresas e controle”, Sergio Moro citou o impacto da corrupção sistêmica, além de falar sobre alguns exemplos de ações penais de empresas como a Petrobrás.

O juiz, que ressaltou que existe corrupção em “qualquer país do mundo”, seja qual for sua posição no ranking de Transparência Internacional, afirmou que o quadro revelado por esses casos já julgados mostra que existe uma corrupção sistêmica. “Como regra nos contratos públicos, pagava-se um porcentual fixo de propina, de 2%, dirigida a agentes públicos da Petrobrás, diretores, gerentes, políticos e financiamento político-partidário. Ressalve-se aqui que não havia uma corrupção disseminada na empresa, a maioria dos funcionários não tinham nada a ver com isso, muito pelo contrário. Normalmente, o relato não era só de ignorância, mas de desalento”.

Moro citou ainda o caso da Refinaria Abreu e Lima, cujo orçamento da obra passou de 4 para 18 bilhões. “Disseram que uma das razões do acréscimo do custo foi a aceleração da obra, e havia o propósito que ficasse pronta em 2010. O primeiro trem de refino começou a funcionar no fim de 2014.Será que valeu a pena esses investimentos? Será que não é preciso ponderar os investimentos públicos?”, questionou.

Prejuízos

Moro salientou que os custos dessa corrupção sistêmica afetam o desenvolvimento do país, pois afasta um investidor externo “que não vem ao Brasil, pois sabe que aqui é um jogo de cartas marcadas. Por que colocar meu capital num país em que tenho de arcar com um custo sistêmico de propina, ou competir com quem aceita fazer esse jogo?”, perguntou.

Para o juiz, além de a corrupção ser enfrentada com as instituições, é importante desenvolver uma nova cultura no âmbito empresarial. “Varrer para baixo do tapete não é uma alternativa nem econômica nem moralmente aceitável. Se varrermos, daqui a dez anos vamos enfrentar uma crise pior, arcando com custos cada vez mais crescentes. Afastaremos o investidor externo, o empresário interno, além do impacto na nossa autoestima e na nossa democracia”.

Moro foi claro: “um ponto importante, e me desculpe pela obviedade: a solução é não pagar propina, pura e simplesmente, para obter um benefício do estado indevido. Precisamos fortalecer nossas instituições e seguir em frente. Tenho confiança eu a democracia brasileira vai superar todas essas questões.”