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20/06/2018

3º Fórum de Transparência e Competitividade discutiu medidas de combate à corrupção no Brasil

Evento promovido pelo Sistema Fiep, em maio, tratou da importância dos programas de integridade no meio corporativo

O papel das redes sociais, da ética, das reformas e de uma política de boas práticas no meio corporativo como alternativas para uma indústria mais íntegra e competitiva - estes foram os principais pontos de discussão na terceira edição do Fórum Transparência e Competitividade, realizado em maio de 2018, pelo Sistema Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), em parceria com o Cifal Curitiba - Centro Internacional de Formação de Atores Locais para América Latina, organismo das Nações Unidas.

O evento reuniu mais de 600 pessoas formadas, principalmente, por executivos de empresas, juristas e representantes de entidades que atuam no combate à corrupção. Durante cinco horas, convidados especiais se revezaram para discutir a importância de combater a corrupção para melhorar o ambiente de negócios no país e o papel das empresas nesse desafio.

A programação teve palestra magna do ministro do Supremo Tribunal Federal, Luiz Roberto Barroso, que destacou a diminuição do Estado e a reforma do sistema político como medidas essenciais no combate à corrupção. "O sistema político brasileiro está ligado ao sistema eleitoral, que é caro demais e de baixíssima representatividade. Ao longo de um mandato, um deputado vai ganhar no máximo R$ 1,1 milhão. A diferença entre o que custa uma campanha e o que o candidato eleito vai ganhar é a principal causa da corrupção. O financiamento eleitoral está na base da grande maioria dos problemas que enfrentamos hoje", disse.

Ele também enalteceu o fato da iniciativa privada modificar sua relação com a sociedade e o poder público. "O combate à corrupção é um caminho que não tem volta. É preciso colocar as pessoas certas nos lugares certos, seguindo o critério da meritocracia e não do fisiologismo. O tamanho do estado precisa ser reduzido e não estou falando de programas sociais, mas dos 28 mil cargos em comissão e do excesso de empresas estatais e de uma grande reforma do sistema político", defendeu.

A abertura do Fórum teve a participação do diretor do Programa de Cooperação Descentralizada da Unitar, das Nações Unidas, Alex Mejia. Para ele, corrupção não é somente roubar dinheiro, é também abusar do poder. Mejia lembrou que um dos principais Objetivos de Desenvolvimento do Milênio é combater a pobreza, o que passa necessariamente pelo combate à corrupção. "A corrupção é muito cara para uma sociedade porque o dinheiro desviado deixa de ser aplicado em saúde, educação, infraestrutura e na geração de empregos. A impunidade perpetua a corrupção. Por isso, é necessária a prisão dos corruptos e a devolução dos valores desviados".

Em seguida, ocorreu o esperado painel "Programas de Integridade e o papel de gestores e empresas contra a corrupção". Esta etapa contou com a participação de executivos que atuam em empresas com experiências bem-sucedidas nessa área. Deltan Dallagnol, procurador da República, participou do debate e afirmou que só a Operação Lava Jato não é o suficiente para combater a corrupção no Brasil. "Precisamos avançar com reformas que mudem os incentivos ao sistema político. A corrupção na esfera federal chega a 5 %, na estadual 10% e na municipal chega a 30%. Mais de 1800 políticos estão envolvidos no esquema de desvio de dinheiro. Precisamos de políticos comprometidos com mudanças", afirmou.

Também apresentaram cases de ações de compliance bem-sucedidas: Roberta Codignoto, executiva Jurídica e de Compliance da Staples; gerente de Riscos e Compliance, Ana Carracedo, da Votorantim S.A.; Fábio Malina Loss, ex-diretor de Governança, Risco e Compliance da Copel; e Reynaldo Goto, responsável pela área de Compliance da Siemens Brasil e presidente do Conselho da Alliance for Integrity, organização internacional que atua no incentivo à transparência e integridade no sistema econômico.

Por fim, a palestra "Ética e Futuro da Sociedade", proferida pelo filósofo e escritor Luiz Pondé, apontou que a grande corrupção está vinculada às empresas, por isso é preciso que tenham processos transparentes com decisões colegiadas - e não nas mãos de poucas pessoas - para manter a ética nos negócios. "Está havendo uma ruptura porque com a ajuda das mídias sociais os casos de corrupção se tornam escândalos acessíveis à grande população. Ética é uma ciência prática e não teórica. "Quando for vergonha ter um corrupto em casa ou na família, como é um pedófilo, teremos algum avanço. O processo é longo e o mundo está bastante atrapalhado. Não vejo nenhum candidato animando, ninguém no mundo", pontuou.

Lançamentos

O Sistema Fiep lançou, durante o Fórum, o Portal ODS (www.portalods.com.br), que reúne conteúdos para as empresas participarem ativamente dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

Também foi lançado o Programa de Integridade, ratificando o compromisso do Sistema Fiep em atuar de maneira ética e responsável na condução dos negócios e nas relações que estabelece, aumentando a transparência e o controle sobre as próprias atividades. As informações são mais uma forma de disseminar boas práticas de governança e estão disponíveis em: www.sistemafiep.org.br/programadeintegridade

Cuidado com o Meio Ambiente

Sabe-se que a elevação nas emissões dos gases de efeito estufa (GEE), em especial as decorrentes de combustíveis fósseis, produções industriais, desmatamento e degradação de florestas, têm consequências e impactos para a saúde humana e na escassez de recursos hídricos, entre outros. O Sistema Fiep tem como compromisso adotar ações que resultem na diminuição dessas emissões, contribuindo na redução dos impactos ambientais. E isto foi feito durante a terceira edição do Fórum, em Curitiba.

Além do investimento em eficiência energética, as medidas focam na realização de reuniões por videoconferências, redução de deslocamentos, utilização de combustíveis mais sustentáveis na mobilidade, do ponto de vista ambiental, neutralização de GEE em eventos de grande porte, entre outras, como forma de refletir na mitigação das emissões e de obter ganhos em qualidade de vida. O evento apresentou o total de emissões de GEE na ordem de 13,477 tCO2e (tonelada de carbono equivalente). As informações completas do relatório podem ser acessadas aqui.